terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Prefeitura e Google fazem parceria e levam informações sobre a cidade

Através de uma parceria entre o Google e a Prefeitura de Blumenau, é possível ter acesso a uma serie de informações da cidade, como abrigos e postos de saúde, nos mapas disponibilizados pelo Google na internet.
Sensibilizado pela tragédia que aconteceu em Blumenau e com o objetivo de prestar informações a seus usuários, o Google entrou em contato com o município e colocou o serviço à disposição. O conteúdo é atualizado constantemente e os dados podem ser ampliados, de acordo com a demanda.
Além de Blumenau, o usuário encontra informações de outros municípios da região. Tudo através da URL:

http://maps.google.com.br/maps/ms?ie=UTF8&hl=pt-BR&oe=UTF8&msa=0&msid=106580470882765255182.00045cd7693405f696d58

Fonte: Antônio Fedato

Donativos continuam chegando a Blumenau

Quase uma semana depois de Blumenau estar tentando voltar a sua normalidade, os donativos continuam chegando a Central de Donativos da Operação Esperança. Nesta segunda-feira, 29 caminhões e 35 carros de passeio trouxeram donativos para cidade. Água, roupas, móveis e cestas básicas predominam. O trabalho de logística funciona de maneira sincronizada e, até às 17 horas desta segunda, contou com o envolvimento de 452 voluntários.

Fonte: Carlos Volles (Coordenador da Central de Donativos)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Lista de vítimas fatais em Gaspar

São 19 mortes oficiais. Todos foram identificados pelo IML.
Ricardo Pitz, 22 Anos (Soterramento, Belchior Baixo)
Jacinto Pitz, 56 Anos (Soterramento, Belchior Baixo)
Osvaldo Piske, 60 Anos (Soterramento, Belchior Baixo)
Daniel Krauser, 70 Anos (Soterramento, Belchior Alto)
Débora Mendonça de Oliveira, 26 Anos (Soterramento, Sertão Verde)
Elienai Mendonça de Oliveira, 9 Anos (Soterramento, Sertão Verde)
Ester Mendonça de Oliveira, 3 Anos (Soterramento, Sertão Verde)
Jéssica Cavalheiro, 14 Anos (Soterramento, Sertão Verde)
Marlene Maria Mendonça, 49 Anos (Soterramento, Sertão Verde)
Charles Fernando Lima De Ramos, 19 Anos (Soterramento, Sertão Verde)
Franciele Mendonça - 17 Anos (Soterramento, Sertão Verde)
Teresa Barbosa, 73 anos (Parada Cardíaca, Sertão Verde)
Pedro José Corrêa, 63 anos (Soterramento, Gaspar Alto)
Armando Bauer Liberato, 79 anos (Soterramento, Belchior Alto)
Mara Aparecida Freitas, 58 anos (Soterramento, Belchior Alto)
Marinéia Mathendal Schwambach, 23 anos (Soterramento, Arraial)
Ordilei Backmann, 30 anos (Soterramento, Arraial)
Luis Fernando Oecksler, 10 anos (Soterramento, Arraial)
Alcido Oecksler, 52 anos (Soterramento, Arraial)
Fonte: Prefeitura de Gaspar

BALANÇO OPERAÇÃO ESPERANÇA DESTA SEGUNDA-FEIRA

População atingida 103 mil pessoas
Total de população desalojada (na casa de amigos ou parentes)25 mil pessoas
Número de abrigos públicos 41
Pessoas nos abrigos públicos 3.055 mil pessoas
Vítimas fatais24 (3 afogamentos e 21 soterramentos)
Energia Elétrica 99% restabelecido
Abastecimento de Água 95% normalizando
Pessoas resgatadas Via aérea 570 pessoas
Pessoas removidas e resgatadas por terra 4.500 pessoas.
Suprimentos distribuídos via aérea 28,2 toneladas
Operações Aéreas 237

Fonte: Prefeitura de Blumenau

Gramado envia sete caminhões com donativos

Estão sendo inúmeros os exemplos de solidariedade de empresas, instituições, governos e pessoas de todo o Brasil, e até do exterior, na ajuda às vítimas da calamidade que se abateu sobre Blumenau e o Vale do Itajaí.
Do município de Gramado, RS, uma mobilização chamou a atenção dos blumenauenses, na manhã desta sexta-feira. Daquele pequeno município, de 32 mil habitantes, aportaram nos pavilhões da Vila Germânica, onde funciona o Centro de Donativos da Operação Esperança, nada menos que sete caminhões carregados de donativos.

Água, alimentos, colchões, roupas, leite, batata, talheres e móveis novos lotavam os caminhões. Mais um caminhão, do mesmo destino, deve chegar ainda hoje e outros ainda estão sendo carregados para serem despachados, adianta o secretário de Turismo do município gaúcho, Alemir Coletto, que acompanhou o comboio dos primeiros caminhões e foi recebido em Blumenau por Cássio Quadros, chefe de Gabinete do prefeito João Paulo Kleinübing.

É o perfil da comunidade de Gramado, o acolhimento, pois somos um município turístico. Isso facilitou a mobilização, que envolveu os principais empresários locais, disse Coletto, sublinhando que a população gaúcha abraçou Blumenau.

Fonte: Norberto Mette - secretário de Turismo de Blumenau

Marcelo Schaefer assume a Secretaria de Saúde até dia 20 de dezembro

A Secretaria de Saúde Elizabete Ternes Pereira viajou para o Chile onde vai participar de um congresso, retornando da viagem no dia 20 de dezembro.

Em função disto, Marcelo Schaefer, que já ocupa a função de diretor de Vigilância em Saúde, ocupa o cargo de secretário interino da Saúde de Blumenau neste período.

Fonte: Marcelo Schaefer secretário interino da Saúde

Natal nos abrigos

A Fundação Cultural de Blumenau e a Secretaria Municipal da Criança e do Adolescente vão ajudar a organizar o Momento Natalino que será realizado por empresas e clubes de serviço nos abrigos da cidade.

A proposta é proporcionar momentos de alegria às famílias desabrigadas pela enchente e deslizamentos de terra. A meta é buscar a participação de empresas, clubes de serviços e diversas entidades. Interessados podem entrar em contato pelo telefone 3326 6596 ou e-mail mab@fcblu.com.br

A colaboração da classe empresarial pode ser através de doações de presentes para adultos e brinquedos para crianças. Outra sugestão é a realização de uma Ceia de Natal nos abrigos. Até o início da próxima semana a Prefeitura vai ter definida a programação, que vai contar com a participação de artistas da cidade. A intenção é percorrer de quatro a cinco abrigos por dia.

Uma das primeiras ações é a apresentação de músicas natalinas pela Banda Municipal nos próximos dias 8,9 e 11, 15,16 e 18 – sempre às 16 horas, na escadaria da Catedral São Paulo Apóstolo, no centro. Fonte: Rodrigo Dal Molin

122 mortes confirmadas

Já são 122 os mortos em conseqüencia das cheias e desmoronamento provocados pela chuva nas últimas semanas em Santa Catatina. Na tarde deste sábado, mais dois corpos foram encontrados num desmoronamento em Gaspar. Os corpos encontrados neste sábado são do menino Luiz Fernando Oecksler, 10 anos, e seu tio, Alcido Oecksler, 52.
Eles estavam na mesma casa, soterrada por um deslizamento na localidade de Arraial D'Ouro, em Gaspar. Eles foram retirados dos escombros por volta das 13h. No mesmo deslizamento, morreu Odirlei Bachmann, 30 anos.
O corpo dele já havia sido encontrado na sexta-feira, mas só pode ser retirado do local neste sábado, por causa da chuva.
De acordo com a Defesa Civil, haveria mais uma pessoa soterrada, mas o corpo ainda não foi encontrado e por isso a morte não foi confirmada.
Fonte: Clickrbs

Bom dia!


Segunda-feira, 08 de dezembro de 2008.

16 dias para o Natal!

Previsão do tempo para hoje e amanhã, de acordo com a Epagri.

Segunda-feira

Mais um dia de tempo firme em SC, com predomínio de sol e temperatura elevada. O forte calor favorece o aumento de nuvens e as condições para pancadas isoladas de chuva entre e a tarde e a noite em todas as regiões catarinenses.

Terça-feira

Sol com aumento de nuvens e pancadas de chuva com trovoadas a partir da tare em todas as regiões do estado devido a áreas de instabilidade ligadas a uma frente fria no mar. Há risco de temporal isolado. Temperatura elevada.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Abertos postos de cadastramento para os atingidos pelas chuvas

A Prefeitura disponibiliza cinco postos de cadastro para os blumenauenses atingidos pelos deslizamentos e alagamentos, ocasionados pelas chuvas. Intitulado “Cadastro Único do Cidadão Atingido”, servirá para quem precisa de algum amparo da Defesa Civil e das secretarias de Assistência Social e Regularização Fundiária e Habitação. Os atingidos devem informar qual dano aconteceu em sua residência e explicitar o apoio e o benefício necessitados.
Os documentos para realizar o cadastro são: original da carteira de identidade, CPF (imprescindível, caso não tiver o cartão, ao menos levar o número) e título de eleitor do titular; identidade, CPF e título de eleitor das demais pessoas que moram na residência; se viúvo (a), a cópia da certidão de óbito; cópia ou original da conta de luz ou água atual; cópia ou original do contrato de compra e venda ou escritura pública; conta de luz ou água que comprove morar no local há mais de cinco anos (caso não tiver, buscar no Samae, Celesc ou com o antigo proprietário) e, se possível, o carnê de IPTU. É importante lembrar que caso a pessoa não tenha toda a documentação, é necessário que leve o máximo de documentos possível.
Os postos funcionarão durante a próxima semana, de 05 a 08 de dezembro, das 8h às 15h, nos seguintes locais:

Praça do Cidadão do Garcia (junto à Secretaria Distrital), atende atingidos dos bairros Da Glória, Progresso, Valparaíso e Garcia (após a Rua Eng Odebrecht).

Antigo Fórum (defronte à Prefeitura), atende atingidos do Centro e dos bairros Garcia (da Rua Araranguá até Rua Eng. Odebrecht), Ribeirão Fresco, Vorstadt, Ponta Aguda, Jardim Blumenau, Rua Petrópolis e adjacências, Vila Formosa, Bom Retiro e Boa Vista.

Pró-Adolescente (rua Alberto Stein, em frente ao parque Ramiro Ruediger), atende atingidos dos bairros Victor Konder, Vila Nova, Escola Agrícola, Velha, Velha Central, Velha Grande e Água Verde.

Escola Básica Municipal Machado de Assis (rua Eng. Paul Werner, 1334, Itoupava Seca), atende atingidos dos bairros Vila Itoupava, Itoupava Central, Itoupavazinha, Passo Manso, Salto Weissbach, do Salto, Itoupava Seca, Salto do Norte, Badenfurt, Testo Salto e Itoupava Norte (com exceção da Rua 25 de Julho).

Escola Básica Municipal Francisco Lanser (rua Alfredo Lanser, 133, Tribess), atende atingidos dos bairros Fortaleza, Fortaleza Alta, Tribess, Fidélis, Nova Esperança, Itoupava Norte (rua 25 de Julho e transversais).

Lembrando, ainda, que o cidadão atingido que já preencheu o cadastro nos abrigos ou na Praça do Cidadão da Prefeitura, pode complementar as informações ou anexar os documentos necessários nos postos de cadastramento.

Fonte: Marcel Hugo – secretário de Orçamento e Gestão

Defesa Civil confirma mais um óbito em SC

O Departamento Estadual de Defesa Civil recebeu na manhã desta sexta-feira (5) a confirmação de mais um óbito em decorrência do desastre que assola Santa Catarina. O registro foi feito na cidade de Ascurra, município do Vale Itajaí, pelo Corpo de Bombeiros Voluntários da região.
Valmir Raulino de 44 anos foi soterrado por um deslizamento de terra ocorrido na noite de sábado (29/11), atingindo duas residências. Todos os moradores do local já tinham sido retirados, porém ele retornou sem autorização e estava desaparecido desde então.
O Corpo de Bombeiros encontrou o corpo na manhã de hoje, quando realizava a retira de terra no local.Até o momento a Defesa Civil já registrou 119 óbitos em 16 municípios.
Pelo menos 31 pessoas estão oficialmente desaparecidas. Operações de busca e resgates continuam sendo realizadas sob a coordenação do Departamento Estadual de Defesa Civil.

Um depoimento incrível

Escrito por Paulo Roberto Bornhofen-Major da Polícia Militar de Santa Catarina e escritor.
O cenário estava se armando. Quase quatro meses de chuvas. O solo estava encharcado, o rio, o famoso Itajaí-Açu, ganhava volume e tentava fugir de sua calha. O final de semana apenas começara, era sábado. Pela manhã, fui participar da Conferência Municipal de Cultura. Em meio a discussões sobre a cultura, um único assunto ganhava unanimidade, a chuva.Quando voltei, no período da tarde, para o encerramento dos trabalhos, fui informado de que a conferência estava suspensa. O prefeito havia decretado estado de emergência. Voltei para casa e no caminho pude notar que as pessoas andavam apressadas, preocupadas. Cheguei a casa e fui deitar. O barulho da chuva, que caía de forma torrencial, acordou-me. Fui até a cozinha e comecei a saborear uma castanha, quando pela janela da área de serviço notei o trânsito parado e sobre a pista da estrada havia uma lâmina de água barrenta, vermelha. A cidade começava a sangrar e eu não percebera. Fui até a sala, para olhar pela sacada, quando o trânsito parado na via que sai do Parque Vila Germânica chamou minha atenção. Quando cheguei à sacada a surpresa chocou. A rua em frente ao meu condomínio estava tomada pelas águas. Os carros passavam de forma cuidadosa. A água começava tomar a entrada do condomínio. De súbito, corri e acordei minha esposa. Liguei para o COPOM para saber da situação e fui informado de que o Comandante do Batalhão estava presente. Liguei para ele e ouvi a sentença: "o plano de chamada está sendo ativado e és o primeiro a ser chamado!". Já havia passado por esta situação antes, em meus 24 anos de serviço policial militar, dos quais 90% servidos em Blumenau; era a minha 5ª enchente.Rapidamente preparei uma mochila, com alguns itens básicos, como o material de higiene, meias e cuecas. O fardamento eu guardo no quartel. Moro perto do Quartel do meu Batalhão e, pela experiência, sabia que não devia ir de carro. O Quartel pega água e sempre que Blumenau sofre com uma enchente, a casa da Polícia Militar é uma das primeiras a ser atingida. Não conseguia encontrar caminho para o quartel, estava tudo alagado. Liguei novamente para o Comandante, solicitando uma viatura.Fui socorrido por uma de nossas viaturas do tipo camionete e no retorno ao quartel fomos parados por um grupo de pessoas que pedia auxílio para uma mãe com uma criança de 18 dias. Eram evangélicos que estavam participando de um encontro no Parque Vila Germânica, encontro este que também havia sido cancelado. Diante da situação, coloquei a mãe, com a criança nos braços, e mais uma senhora na viatura e partimos para a sua casa. Ele nos informou que morava na Rua José Reuter, no Ristow. O caminho foi longo. O cenário já era preocupante. Muitos alagamentos e deslizamentos pela via davam uma pequena mostra do que viria. A cidade não apenas sangrava, mas em alguns lugares ela já deixava sua carne à mostra. A cidade começava a mostrar suas entranhas, mas eu não percebia, não só eu, acho que até aquele momento ninguém percebia. Quando chegamos à rua indicada, a senhora pediu-me que a deixasse antes de sua casa, que era em um morro, pois se parássemos em frente, ela não conseguiria sair, já que a viatura era muito alta. Lembro que ela ainda apontou para a sua casa e disse: - é lá que eu moro. Hora mais tarde, aquela região foi uma das mais castigadas da cidade, com a destruição de inúmeras casas pelo deslizamento de terra e muita gente morreu. Quando cheguei ao quartel, me reuni com o Comandante e adotamos algumas medidas visando proteger o patrimônio. Por volta das 22:00h fomos dispensados. As previsões não apontavam para cheias. Confesso que fiquei feliz em voltar para casa. Fui a pé. As águas já haviam baixado e não encontrei nenhuma área alagada. Era uma trégua diabólica, apenas para transmitir uma falsa sensação de segurança. Uma pausa para o pior. Blumenau e todo o Vale seriam tomados pelo terror. Silenciosamente a cidade era tomada por forças de proporções catastróficas. A cidade que aprendera a conviver com as seguidas cheias do rio não estava preparado para o que a aguardava. De forma sistemática e cruel, e natureza iria revelar toda a sua ira. A enchente teria companhia. Como que em uma bizarra aventura épica, um monstro com três corpos iria atacar o vale. A população seria acuada, judiada, massacrada. Os morros, que em épocas passadas eram o refúgio para as cheias, haviam se transformado em mortais armadilhas. Deslizamentos iriam tirar a vida de mais de uma centena de aterrorizados moradores do Vale.Mas não no Domingo durante o dia. Novamente as águas recuaram. Nós voltamos ao quartel, havia sido chamado, novamente às 02:00h, em plena madrugada. Podemos dizer que o Domingo foi ameno durante o dia. Quando a noite se aproximou, nos preparamos para ficar ilhados no prédio do COPOM. Continuamente, as águas foram subindo. Não como nas enchentes que a cidade já havia testemunhado. O volume de água foi demasiado para um solo já castigado e ensopado por quase quatro meses de chuva. A enchente seria precedida de alagamentos. Lugares que tradicionalmente eram atingidos com determinadas cotas do rio, simplesmente ficaram embaixo d'água, independente da cota. Assim, de forma sorrateira, com total vilania, as águas pegaram os moradores de surpresa. É tradição que se adote determinada medida em função das cotas. Esta tradição foi destruída, desmoralizada, não serve mais para nada. De agora em diante, quem se guiar pelas cotas estará placidamente esperando a morte chegar e não, como no passado, estará em estado de alerta para enfrentar, e vencer como tantas vezes já ocorreu, com a bravura (a bravura que moldou a multicolorida Blumenau) indômita dos orgulhosos blumenauenses, mais uma enchente. Triste ilusão que cega os sofridos bravos!Com a chegada da noite nos instalamos no COPOM. Os telefones de emergência não paravam, assim com as águas do Ribeirão da Velha, que perigosamente passam e míseros metros dos fundos do aquartelamento. Sem pedir licença, e muito menos encontrar resistências, as águas foram tomando o quartel. Rapidamente uma furiosa lâmina tomou conta de todo o pátio. O Ribeirão da Velha, ardilosamente se apoderou do nosso quartel e lançou um braço que cortou caminho para evitar uma curva que contorna os fundos do mesmo. Agora, tínhamos as águas do Ribeirão, e sua astuta correnteza, nos cercando.Pelo telefone, a comunidade continuava com seu grito de socorro. À medida que a noite avançava, o desespero aumentava, refletido nos ininterruptos chamados ao telefone 190. A cada telefonema, uma história de horror e desgraça nos alcançava. Pelo rádio, o que os policiais militares, homens e mulheres reportavam não era menos estarrecedor. Desmoronamentos, alagamentos, chuva torrencial e o rio, que fazia valer a sua qualificação de "Açu", que em Guarani significa grande. O Itajaí-Açu alargava suas margens e engolia a cidade, engolia o vale. O COPOM se viu envolto em um medonho frenesi. Dividíamos o espaço com os funcionários do SAMU, para alguns deles, a primeira experiência em catástrofes. Rapidamente a situação na cidade se deteriorou e o caos se instalou. Os deslizamentos não paravam. Morte e destruição em cada telefonema. Patrimônios, sonhos e vidas eram levados pelas avalanches de terra. Não demorou muito para que nossas viaturas se vissem sitiadas, suas rotas estavam bloqueadas, idem para as viaturas do SAMU. O socorro não circulava mais. Não chegava e quando chegava não saía. Estávamos vivendo algo inédito. Nunca antes tínhamos enfrentado situação parecida. Era uma guerra contra um inimigo astucioso, mas covarde. Batalhas eclodiam em todos os cantos da cidade na forma de deslizamentos, que produziam baixas e mais baixas entre os moradores. A luta era inglória. O número de vítimas ganhava corpo de forma assustadora. Começamos a receber toda a carga da fúria da natureza. A cidade era atacada por todos os lados. Uma força descomunal a estava devorando, literalmente. Já não eram mais sinais, era todo o furor em seu esplendor máximo; a cidade estava com suas entranhas expostas. Entranhas famintas, que afloravam para o banquete diabólico. A terra dos morros se liquefazia e descia a encosta levando anos de trabalho duro, de sonhos, de projetos, de patrimônio duramente conquistado, de vidas, vidas e mais vidas. Entre as solicitações de ajuda, uma veio da Rua José Reuter, no Ristow, dando conta de que cerca de quinze casas haviam desmoronado como que em um efeito dominó, em que as pedras do jogo são casas, são vidas. Será que aquela mãe com seu bebê de dezoito dias foram atingidos? Passados dez dias daquela noite, ainda não sei. Falta-me coragem para retornar e saber daquelas pessoas. Acho que prefiro não saber. Uma contabilização macabra foi desenvolvida no COPOM. Tentávamos imaginar a quantidade de mortos, com base nas súplicas, nos pedidos desesperados por socorro que nos chegavam. Isso na Polícia Militar; e no Corpo de Bombeiros? Nem dava para imaginar.Já havíamos perdido a energia elétrica e usávamos o sistema de suporte para emergência, um conjunto de baterias administradas por um software. Aos poucos este sistema foi falhando. Os computadores apagaram. Fazia horas que estávamos à luz de velas. Apenas o rádio e telefone 190 funcionavam. Não tínhamos mais como fazer os registros. O sistema rádio, que é ligado aos computadores foi perdido junto com eles; conseguíamos operar apenas através de um rádio tipo HT (aqueles rádios que os policias usam na cintura). Todo o sistema de segurança da cidade, ligado à manutenção da ordem pública, dependia de uma mísera bateria de HT, e quando ela acabasse...Em meio ao caos que assolava a cidade e se refletia em cada policial ilhado naquela sala, um soldado se aproxima de mim e com os olhos arregalados diz: "Major estão morrendo lá fora e não podemos fazer nada!" Simplesmente assenti com a cabeça. No pátio do quartel, aquela lâmina de água agora já tinha mais de um metro de espessura e era varrida por uma forte correnteza. Pensei comigo: se este prédio resistir e não desabar, podemos dizer que temos sorte. Passados alguns instantes, perdemos o telefone 190. Todo o sistema caiu, e a bateria do HT resistia bravamente. Aos poucos, fomos percebendo o silêncio e como que um alívio tomou conta do ambiente. As más notícias não paravam de chegar, só que agora em menor número, apenas pela comunicação com as viaturas. Fomos informados de que um gasoduto explodira em Gaspar. Qual o tamanho da destruição? Havia mortos? Quantos? Apenas especulações. Aquela noite de terror estava longe de terminar. Pela janela do COPOM podíamos enxergar por detrás dos morros a claridade do incêndio no gasoduto. Diante de nós, uma paisagem diabólica ganhou forma. A claridade do incêndio era como que um pôr do sol, ou uma lua cheia a iluminar a morte e a destruição que se abatia sobre a cidade, que alagada desmoronava sob o seu próprio peso. Terra, água e fogo estavam juntos, unidos contra os habitantes do vale. Desta forma, a primeira noite foi vencida e chegou o dia. O primeiro de uma seqüência de dias macabros. Dias que mostraram toda a nossa impotência e incompetência diante da fúria grotesca da natureza, que, sem pedir licença, foi devorando o que encontrava pela frente. Dias que mostraram, também, como a nossa arrogância pode potencializar as forças da natureza quando esta simplesmente resolve seguir seu curso normal. Mas, ainda não tínhamos conhecido o verdadeiro drama, o tamanho da tragédia. Era só o começo!
Paulo Roberto BornhofenMajor da Polícia Militar de Santa Catarina e escritor.Membro da Academia de Letras Blumenauense,da Academia de Letras de Canelinha e da Sociedade Escritores de Blumenau.

Equipe Blumenau

Beijos especiais para os meus companheiros da Rádio Blumenau, pelo trabalho intenso, apesar da correria, cansaço e dos momentos de emoção. Conseguimos juntos informar e atender tantos pedidos de ajuda.

Alexandre Pereira (Papai do Nathan), Amauri Pereira (o esporte da Blumenau),Edmilson Luis (Fez aniversário ontem e trouxe uma cuquinha para o pessoal!), Giovani Ricardo (Papai do Bruno).

Beijos beijos

Sexta-feira

Blumenau,05 de dezembro de 2008.

Blumenau acende luzes de Natal




As luzes de Natal foram acesas ontem à noite na Praça Victor Konder, em frente à prefeitura de Blumenau, onde foi montado um espaço alusivo à data. Ao todo, a decoração natalina na cidade inclui 700 mil lâmpadas.

Elas também decoram as ruas XV de Novembro, das Palmeiras, Avenida Beira-Rio e a Ponte de Ferro. O secretário de Turismo, Norberto Mette, lembra que as enchentes alteraram a programação. Shows de fogos estavam previstos, mas foram cancelados.

Ampla programação cultural vai reservar atrativos, incluindo apresentações de corais, orquestra e encenações teatrais até o Natal. No Espaço Noel, montado em frente à prefeitura, o Papai Noel estará todos os dias das 17h30min às 21h para receber as crianças.

Fonte: JSC